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SISTEMA DIGESTÓRIO APLICADO AO ESPORTE

Corredor Transparente

22ª Aula – 04/ 06/ 2013

SISTEMA DIGESTÓRIO APLICADO AO ESPORTE

Partes do Sistema Gastro Intestinal

As partes do sistema gastrointestinal estão representadas na figura abaixo.

Funções do Sistema Digestório

O trato gastrointestinal, ou trato GI, é um tubo longo cuja função é transportar nutrientes, água, e eletrólitos do ambiente externo para o interno.

O sistema digestório é coordenado por quatro processos básicos: digestão, absorção, motilidade e secreção. A digestão é uma quebra química e mecânica dos alimentos em pequenas unidades que podem atravessar o epitélio intestinal do corpo. A absorção é um processo de transferência ativo ou passivo de substâncias do lúmen do trato GI para o fluido extracelular (FEC). A motilidade é o movimento do conteúdo alimentar no trato GI como resultado de contrações musculares. A secreção refere-se (1) à transferência de água e íons do FEC para o lúmen, e (2) à liberação do material sintetizado pelas células epiteliais do trato GI.

A presença de alimento na boca, junto com visão e cheiro, estimula as glândulas salivares a secretar saliva, que contém a enzima amilase salivar ou ptialina, além de sais e outras substâncias.

 

A amilase salivar digere o amido e outros polissacarídeos (como o glicogênio), reduzindo-os em moléculas de maltose (dissacarídeo).

Os sais na saliva neutralizam substâncias ácidas e mantêm um pH levemente ácido (6, 7), ideal para a ação da ptialina.

O Músculo Liso do Trato Gastrointestinal Apresenta Diferentes Formas de Contração

As contrações musculares durante e após a refeição são peristálticas ou segmentares. As primeiras são progressivas e se movimentam de uma parte do trato GI para outra, similares às “ondas” feitas por torcedores ao redor de um estádio de futebol durante um jogo. Nas segmentares, pequenos segmentos (1-5 cm) do intestino se contraem e relaxam.

 

Suco Gástrico e Quimo

            Solução rica em ácido clorídrico e em enzimas (pepsina e renina). A pepsina digere proteínas em peptídeos pequenos. A renina, produzida mais em recém-nascidos, separa o leite em frações líquidas e sólidas.

As células da mucosa estomacal são continuamente lesadas e mortas pela ação do suco gástrico.

A superfície estomacal é totalmente reconstituída a cada três dias.

O estômago produz cerca de três litros de suco gástrico por dia.

O alimento pode permanecer no estômago por até quatro horas ou mais e se mistura ao suco gástrico auxiliado pelas contrações da musculatura estomacal.

O bolo alimentar transforma-se em uma massa acidificada e semilíquida, o quimo.

Passando por um esfíncter muscular (o piloro), o quimo é liberado no intestino delgado, onde ocorre a parte mais importante da digestão.

 

Intestino Delgado, Suco Pancreático e Bile

intestino delgado é dividido em três regiões: duodeno, jejuno e íleo.

O duodeno  é a primeira parte do intestino delgado.  Duodeno em latim quer dizer “doze dedos”.  Começa logo a seguir  à válvula de saída do estômago que se chama  “piloro”,  cujo significado  em latim é  “porteiro”.

O jejuno segue ao duodeno e  quer dizer “jejum”.

O íleo é a parte terminal do intestino delgado e o seu nome em latim significa  mesmo “parte final” do intestino delgado.

Duto Biliar

A digestão do quimo ocorre predominantemente no duodeno e nas primeiras porções do jejuno. No duodeno atua também o suco pancreático, produzido pelo pâncreas, que contêm diversas enzimas digestivas.

Outra secreção que atua no duodeno é a bile, produzida no fígado, que apesar de não conter enzimas, tem a importante função, entre outras, de transformar gorduras em gotículas microscópicas.

suco pancreático é uma secreção produzida pelo pâncreas que atua no processo digestivo e, através do ducto pancreático (ou canal de Wirsung), é lançado na cavidade do duodeno.

 

Contém água, enzimas (amilase pancreática, lipase pancreática,tripsinogênio, quimiotripsinogênio e nucleases) e grandes quantidades de íons bicarbonatos.

Bile

Ou bílis é um fluido produzido pelo fígado (produz cerca de um litro de bile por dia), e armazenado na vesícula biliar - capacidade de armazenar 20 – 50 ml de bile – e atua na digestão de gorduras e micro-organismos para evitar a putrefação de alguns alimentos e na absorção de substâncias nutritivas da dieta ao passarem pelo intestino.

 

A bile é caracterizada por ser alcalina e amarga contendo água, bicarbonato de sódio, sais biliares, pigmentos, colesterol e bilirrubina, entre outros compostos.

Regulação do Sistema Gastrointestinal

  • Ativação Simpática -> deprime SGI
  • Ativação Parassimpática -> ativa SGI
  • Ph do alimento
  • Composição Química do Alimento
  • Temperatura
  • Volume

Esvaziamento Gástrico – Técnica de Dupla Amostragem

 

Esvaziamento Gástrico – Curva de Enriquecimento da Respiração (C13-TTP)

 

Sistema Nervoso Entérico

Mioentérico: externo em relação ao submucoso, localiza-se entre as camadas musculares, longitudinal e circular. Controla os movimentos gastrintestinais (segmentação e peristaltismo).

Submucoso: localizado na submucosa, mais precisamente entre a camada muscular circular e a submucosa. Controla as secreções gastrintestinais além do fluxo sanguíneo local.

Movimentações intestinais

  • Movimento peristáltico;
  • Haustrações (segmentação);
  • Movimentos de massa ou propulsivos.

Ingesta alimentar

Maior secreção de ácido clorídrico (HCl).

Diminuição das respostas vagais de ingesta e aumento da resposta de saciedade.

 

Sinais de aumento da atividade parassimpática de absorção. Secreção de CCK, GLP1 e PYY

Sistema Nervoso Simpático e Parassimpático

O primeiro deprime o SGI, e o segundo o ativa. Ou seja, durante o exercício ocorre a depressão da motilidade pelo aumento da atividade simpática.

 

Fluxo Sanguíneo Esplâncnico

O fluxo sanguíneo esplâncnico (FSE) só influencia a motilidade negativamente a partir de 70% VO2 Max (gráfico abaixo). Com este percentual, a digestão deixa de ocorrer e o alimento para onde estiver. Isso gera distensão na parede estomacal (reflexo de contração) e causa desconforto.

O aumento da intensidade do exercício leva à vasoconstrição. O FSE cai até 50% do valor basal associado à diminuição da motilidade. O exercício aumenta a atividade simpática (que é o que deprime a motilidade).

Dessa forma, comer e, em seguida, caminhar, não acarreta nenhum problema digestivo.

 

Composição Química do Alimento e a Motilidade

Conteúdo calórico: a motilidade diminui conforme a densidade calórica aumenta;

Osmolaridade: a motilidade diminui com soluções hiperosmolares.

Volume da solução: a motilidade aumenta com volumes maiores.

Ph: a motilidade aumenta com soluções mais básicas. Para produzir o HCl, uma H+-K+-ATPase bombeia H+ para dentro do lúmen (em direção à água). O Cl- movimenta-se para o lúmen através de canais de cloro que estão abertos nas células parietais. A OH- da água combina-se com o CO2 para formar HCO3-, que é absorvido pelo sangue. Esse processo consiste na alcalose pós-prandial, que causa sonolência. O omeprazol (usado no tratamento da úlcera) bloqueia a bomba e reduz produção de HCl.

Absorção Intestinal de Nutrientes

Os nutrientes têm velocidades e locais diferentes de absorção. 60% são absorvidos no duodeno e no jejuno. 20% são absorvidos no íleo, e 15% no intestino grosso. O restante é excretado junto com as fezes.

As dietas ricas em carboidrato necessitam de, no mínimo, 2 horas de digestão. As ricas em proteínas e ácidos graxos necessitam de, no mínimo, 4 horas de digestão.

A temperatura ideal para o esvaziamento gástrico está entre 5 e 10°C. Acima ou abaixo disso ocorre a desaceleração do processo.

Exercício intensos, acima de 70% do Vo2 Máx, diminuem a velocidade da digestão, enquanto atividades de baixa intensidade promovem maior velocidade de digestão. O nível de condicionamento do indivíduo é um determinante fundamental para o esvaziamento gástrico. Um indivíduo sedentário pode apresentar desconforto com uma leve caminhada.

O Exercício e a Absorção Intestinal

O exercício diminui o aporte sanguíneo intestinal, porém, 75% do vo2 Máx não compromete a absorção de carboidrato e cloreto de sódio. Isso mostra que o transporte não é, exclusivamente, dependente do sangue e do peristaltismo.

Atividades de de Alta Intensidade e Duração

            Em atividades de alta intensidade e longa duração ocorrem:

  • O aumento da atividade simpática, que deprime o SGI;
  • A diminuição da atividade parassimpática;
  • A movimentação vigorosa do tronco (como na natação e na corrida), com a motilidade GI diminuída bem como a absorção, pela diminuição do fluxo sanguíneo, faz com que o alimento seja mal digerido e absorvido, provocando maior movimento de propulsão no final do tubo, o que consiste num estímulo para a defecação. Essa é a causa da diarreia do maratonista.

 

Hormônios da Digestão

Hormônio

Local de produção

Órgão-alvo

Função

Gastrina

Estômago

Estômago

Estimula a produção de suco gástrico

Secretina

Intestino

Pâncreas

Estimula a liberação de bicarbonato

Colecistoquinina

Intestino

Pâncreas e
vesícula biliar

Estimula a liberação de bile pela vesícula e a liberação de enzimas pelo pâncreas.

Enterogastrona

Intestino

Estômago

Inibe o peristaltismo estomacal

Fome e Saciedade

            Os hormônios grelina e leptina atuam no mecanismo da fome e da saciedade.

A grelina é secretada pelo estômago. É um novo peptídeo libertador hormonal encontrado no hipotálamo e no estômago. Age como regulador do apetite enviando mensagens de “fome” ao SNC. Faz parte do sistema de defesa corporal para proteger o corpo contra a fome.

Adaptações Gastrointestinais ao Treinamento

O treinamento causa uma maior motilidade gastrointestinal (aumenta a atividade parassimpática em repouso, o que ativa a motilidade).

Provoca também uma maior secreção de muco que protege a parede GI do ácido clorídrico.

O treinamento melhora o processo absortivo no intestino, o que aumenta a irrigação tecidual.

Por fim, o treinamento tem ação anti-ulcerogênica.

Melhores Estratégias para Facilitar o Trânsito Gástrico no Exercício

Tipos de Carboidratos

A maltodextrina é um carboidrato complexo – 5g por 100 ml de água (melhor que 5g de glicose por 100ml de água).

Frutose deixa o estômago mais rapidamente sem causar grandes desconfortos – melhor que sacarose (glicose + frutose), maltose (glicose + glicose), galactose e lactose (glicose + galactose).

Quantidade de Carboidrato na Bebida

A melhor combinação de carboidratos na bebida é igual a 6% do volume de líquido (3% de frutose + 3% de glicose) para melhor absorção. Já que com carboidrato o esvaziamento é mais rápido, a absorção será mais rápida.

Existem estudos indicando que uma bebida com 8% de carboidrato ocasiona maior lentidão na absorção e no esvaziamento gástrico, em comparação à água e às bebidas que contêm até 6% de carboidrato. Preferencialmente, deve ser utilizada uma mistura de glicose, frutose e sacarose. O uso isolado de frutose pode causar distúrbios gastrintestinais.

A reposição necessária de carboidratos para manter a glicemia e retardar a fadiga é de 30 a 60g/hora, com concentração de 4 a 8g/decilitro (1 decilitro = 100 mililitros).

Exemplo: 500ml de água + 40g de CHO

Em exercícios prolongados, que ultrapassem uma hora de duração, recomenda-se beber líquidos contendo de 0,5 a 0,7 g/ l de sódio.

Bibliografia

• Aula da Professora Júlia Gross proferida na ESEF/ UFRGS no dia 04 de junho de 2013.

• WILMORE, Jack H.; COSTILL, David L. Fisiologia do Esporte e do Exercício. 2ª ed. TamboréBarueri – Sp: Manole Ltda., 1999. 709 p.

• McARDLE, William D. et al. Fisiologia do Exercício: Energia, Nutrição e Desempenho Humano. 5ª ed. Rio de Janeiro, RJ: Guanabara Koogan, 2003. 1113 p.

• SILVERTHORN, DeeUnglaub. Fisiologia Humana: Uma Abordagem Integrada. 2ª ed. São Paulo – SP: Ed. Manole, 2003. 992 p.

MARIEB, Elaine Nicpon; HOEHN, Katja. Anatomia e Fisiologia. 3ª ed. São Paulo – SP: Ed. Artmed, 2009. 900 p.

Juarez Lucas