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CONTROLE MOTOR INVOLUNTÁRIO E ALONGAMENTO

Fig. 13 - 7 - p.455

10ª Aula: 11/ 04/ 2013

CONTROLE MOTOR INVOLUNTÁRIO

Reflexos dos Músculos Esqueléticos

Embora nem sempre estejamos conscientes deles, os reflexos dos músculos esqueléticos estão envolvidos em quase tudo o que fazemos. Os receptores que detectam as modificações nos movimentos das articulações, na tensão muscular e no comprimento do músculo geram informações para o Sistema Nervoso Central (SNC), o qual pode responder de dois modos. Se a contração muscular é a resposta apropriada, o SNC ativa neurônios motores somáticos que vão para as fibras musculares. Se o músculo precisa ser relaxado para gerar a resposta, os estímulos sensoriais ativam interneurônios inibitórios no SNC, e estes interneurônios inibem a atividade dos neurônios motores somáticos que inervam o músculo.

A excitação dos neurônios motores somáticos sempre causa contração na musculatura esquelética. Não existe neurônio inibitório que faça sinapse nos músculos esqueléticos para causar o seu relaxamento. Em vez disso, o relaxamento resulta da ausência de sinal excitatório do neurônio motor somático. A inibição e a excitação dos neurônios motores somáticos e dos músculos esqueléticos a eles associados devem ocorrer em sinapses dentro do SNC.

I)                    Reflexo Miotático – Os Fusos Musculares Respondem ao Estiramento do Músculo

Os fusos musculares (figura abaixo) são receptores de estiramento que enviam informações para a medula espinal e para o encéfalo sobre o comprimento do músculo e suas modificações. Eles são estruturas pequenas e alongadas que estão dispostas entre as fibras contráteis extrafusais do músculo e arranjadas paralelamente a elas.

 

Cada fuso consiste em uma cápsula de tecido conectivo que engloba um grupo de pequenas fibras musculares conhecidas como fibras intrafusais. As fibras musculares intrafusais são modificadas de modo que as suas extremidades são contráteis, mas a região central não possui miofibrilas (figura abaixo).

As extremidades contráteis das fibras intrafusais têm sua própria inervação via neurônios motores gama. A região central não contrátil de cada fibra intrafusal é envolvida por terminações nervosas sensoriais que são estimuladas pelo estiramento. Esses neurônios sensoriais se projetam para a medula espinal e fazem sinapse diretamente com os neurônios motores alfa que inervam o músculo no qual os fusos estão.

Quando um músculo está no seu comprimento de repouso, a região central de cada fuso muscular está estirada o suficiente para ativar as fibras sensoriais (figura abaixo).

 

Como resultado, os neurônios sensoriais dos fusos são tonicamente ativos, enviando uma série contínua de potenciais de ação para o SNC. Por causa desta atividade tônica, mesmo um músculo em repouso mantém certo nível de tensão, conhecido como tônus muscular.

            Os fusos musculares estão ancorados em paralelo às fibras musculares extrafusais. Qualquer movimento que aumenta o comprimento do músculo também estira os fusos musculares, fazendo com que suas fibras sensoriais disparem com maior frequência (figura abaixo). Isso gera uma contração reflexa do músculo, que impede o dano devido ao superestiramento. A via reflexa pela qual o estiramento muscular inicia uma resposta de contração é conhecida como reflexo de estiramento (reflexo miotático).

 

Considerações Importantes

• O reflexo miotático serve para a correção postural, e é o único reflexo monossináptico que temos;

Receptor sensorial, conhecido como proprioceptor: o fuso muscular é um conjunto de fibras que ficam dentro de uma cápsula. Dentro dessa cápsula também há neurônios sensoriais (vias aferentes que estão envoltos nas fibras);

• Via aferente: fibras 1A e 2;

• Estímulo: estiramento. O fuso muscular responde ao estiramento do músculo (fibras 1A e 2). Ele monitora o comprimento do músculo e impede o estiramento excessivo.

• Presente nos movimentos explosivos (saltos);

• Os fusos musculares estão paralelos às fibras contráteis extrafusais do músculo;

• A hipertonia consiste em reflexos miotáticos exacerbados pela hiperatividade (γ) fusal;

• O reflexo miotático proporciona o treinamento pliométrico. Esse aumenta a quantidade de fibras musculares e consequentemente a potência. Pode-se fazer pliometria com os membros superiores. Exemplo: um ginasta que domine a posição de parada-de-mãos pode realizar “saltos” dessa maneira. Todos os movimentos explosivos e de potência podem ser treinados através de pliometria.

II)                  Reflexo Miotático Inverso – Os Órgãos Tendinosos de Golgi (OTGs) Respondem à Tensão Muscular

Um segundo tipo de proprioceptor do músculo é o órgão tendinoso de Golgi. Esses receptores são encontrados na junção entre os tendões e as fibras musculares e estão dispostos em série com as fibras musculares. Os OTGs respondem principalmente à tensão que um músculo desenvolve durante uma contração isométrica, e causam um relaxamento reflexo. Essa resposta é o oposto da contração reflexa causada pelos fusos musculares. Ao contrário dos fusos musculares, o OTG é relativamente insensível ao estiramento do músculo.

Os OTGs são compostos por terminações nervosas livres que se dispõem entre as fibras colágenas e estão dentro de uma cápsula de tecido conectivo (figura abaixo). Quando um músculo contrai, seus tendões atuam como um componente elástico durante a fase isométrica da contração. A contração traciona as fibras de colágeno dentro do OTG, comprimindo as terminações sensoriais dos neurônios aferentes e fazendo com que eles disparem.

O estímulo aferente proveniente da ativação do OTG estimula os interneurônios inibitórios na medula espinal. Os interneurônios inibem os neurônios motores alfa que inervam o músculo, e a contração muscular diminui ou cessa. Em muitas circunstâncias, este reflexo diminui a contração muscular à medida que a força de contração aumenta. Em outras circunstâncias, os OTGs impedem a contração excessiva que poderia causar lesão muscular. O OTG é uma fonte importante de sinais inibitórios para os neurônios motores alfa.

Considerações Importantes

  • • Estímulo: tensão
  • • Via aferente: Fibras 1b
  • • Dois Interneurônios: um excitatório e um inibitório.

• Fibras tipo 1b são encontradas na junção entre os tendões e as fibras musculares. Os OTGs respondem, principalmente, à tensão muscular que é desenvolvida numa contração isométrica e causam um relaxamento reflexo. Ao contrário do fuso muscular, o OTG não responde ao estiramento do músculo. O OTG impede a contração excessiva que poderia causar uma lesão.

Os Reflexos de Estiramento e a Inibição Recíproca Controlam o Movimento de uma Articulação

O movimento das articulações mais flexíveis é controlado por grupos musculares antagonistas e sinérgicos que atuam de modo coordenado. Os neurônios sensoriais aferentes provenientes dos receptores musculares e os neurônios motores eferentes que controlam o músculo são ligados por vias divergentes e convergentes de interneurônios que estão na medula espinal. O conjunto de vias que controlam uma única articulação é denominado unidade miotática.

O reflexo mais simples em uma unidade miotática é o reflexo de estiramento monossináptico, o qual envolve somente dois neurônios: o neurônio sensorial do fuso muscular e o neurônio motor somático que se dirige para o músculo. O reflexo patelar é um exemplo de reflexo de estiramento monossináptico (figura abaixo).

Para demonstrar o reflexo patelar, uma pessoa senta na borda de uma mesa de modo que as pernas fiquem penduradas e relaxadas. Quando o tendão da patela, situado abaixo da mesma, é percutido com um pequeno martelo de borracha, a percussão estira o músculo quadríceps femoral localizado no compartimento anterior da coxa. Esse estiramento ativa os fusos musculares e envia potenciais de ação por fibras sensoriais até a medula espinal. O neurônio sensorial faz sinapse diretamente com os neurônios motores que controlam a contração do músculo quadríceps femoral (um reflexo monossináptico). A excitação dos neurônios motores faz com que as unidades motoras do quadríceps se contraiam e a perna seja puxada para frente.

Para a contração muscular estender a perna, também deve ocorrer o relaxamento dos músculos flexores antagonistas (inibição recíproca). Na perna, isso exige o relaxamento dos músculos posteriores da coxa. O único estímulo de percussão do tendão realiza ambos, a contração do quadríceps femoral e a inibição recíproca dos músculos posteriores da coxa. As fibras sensoriais se ramificam ao entrarem na medula espinal. Algumas das ramificações ativam neurônios motores que inervam o quadríceps femoral, ao passo que outras ramificações fazem sinapse com interneurônios inibitórios. Esses suprimem a atividade dos neurônios motores que controlam os músculos posteriores da coxa (um reflexo polissináptico). O resultado é o relaxamento dos músculos posteriores da coxa, o que permite que a contração do quadríceps femoral ocorra sem oposição.

III)                Reflexo Flexor (Nociceptivo) – “Agressão” – Os Reflexos de Flexão Afastam os Membros de um Estímulo Doloroso

Os reflexos de flexão são vias reflexas polissinápticas que fazem com que um braço ou perna sejam afastados de um estímulo doloroso, como uma alfinetada ou um fogão quente. Tais reflexos, assim como o reflexo de inibição recíproca já descrito, contam com vias divergentes na medula espinal. A figura abaixo usa o exemplo de pisar em um prego para ilustrar um reflexo de flexão.

Quando o pé entra em contato com a ponta do prego, nociceptores (receptores de dor) presentes no pé enviam informação sensorial para a medula espinal. Lá o sinal diverge ativando vários interneurônios excitatórios. Alguns desses interneurônios excitam neurônios motores alfa, levando à contração dos músculos flexores do membro estimulado. Outros interneurônios ativam simultaneamente interneurônios inibitórios que causam o relaxamento dos grupos de músculos antagonistas. Devido a essa inibição recíproca, o membro é flexionado e afastado do estímulo doloroso. Esse tipo de reflexo necessita de mais tempo do que um reflexo de estiramento (reflexo patelar), porque é um reflexo polissináptico, ao invés de monossináptico.

 

Considerações Importantes

  • • Os nociceptores são localizados na pele;
  • • Ao pisar no prego: flete o lado que pisou e estende o outro;
  • • Flexor contrai e extensor relaxa (região agredida ipsilateral);
  • • Flexor relaxa e extensor contrai (região contra lateral à região agredida);
  • •Fuso muscular, OTG e receptores articulares são três tipos de proprioceptores. Suas informações sensoriais desencadeiam reflexos musculares.

ALONGAMENTO MUSCULAR (utilização dos reflexos estudados)

O alongamento pode ser utilizado para três diferentes finalidades:

i)        Ganho de flexibilidade;

ii)      Aquecimento; e

iii)    Relaxamento.

i)                    Ganho de Flexibilidade:

Flexibilidade é uma valência física e depende da:

a)      Mobilidade articular;

b)      Elasticidade muscular;

c)      Massa muscular; e

d)      Elasticidade da pele.

a)      A mobilidade articular é treinável, porém, apenas no período da infância. Na maturidade já ocorreu a seladura das epífises ósseas e, sendo assim, não há possibilidade de se ganhar amplitude articular.

b)      A elasticidade muscular depende da:

i)                    Viscosidade do sarcoplasma: quanto mais viscoso maior a elasticidade;

ii)                  Arquitetura do sarcômero. Quanto mais sarcômeros em série, maior a elasticidade muscular. Quanto mais sarcômeros em paralelo, menor a elasticidade muscular.

Quanto maior a elasticidade muscular, maior a flexibilidade do músculo.

Relação Entre a Densidade e a Viscosidade

• [Densidade] = [Massa/Volume]

• Viscosidade corresponde ao atrito que as moléculas de um fluido exercem entre si e contra as paredes do continente. Quanto maior a viscosidade, menor será a velocidade com que o fluido se movimenta.

• A água é mais densa, e o óleo é mais viscoso.

Bibliografia:

• WILMORE, Jack H.; COSTILL, David L. Fisiologia do Esporte e do Exercício. 2ª ed. Tamboré Barueri – Sp: Manole Ltda., 1999. 709 p.

• McARDLE, William D. et al. Fisiologia do Exercício: Energia, Nutrição e Desempenho Humano. 5ª ed. Rio de Janeiro, Rj: Guanabara Koogan, 2003. 1113 p.

• SILVERTHORN, Dee Unglaub. Fisiologia Humana: Uma Abordagem Integrada. 2ª ed. São Paulo – Sp: Ed. Manole, 2003. 992 p.

Juarez Lucas