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ALONGAMENTO MUSCULAR (Continuação)

Ação da Renina-Angiotensina

11ª AULA: 16/04/2013

ALONGAMENTO MUSCULAR (Continuação)

Os principais métodos de alongamento são:

  • Alongamento Balístico: estira o fuso muscular e é realizado com insistência. Do ponto de vista neuromuscular, o estiramento desencadeia o reflexo miotático que provoca a contração da própria musculatura estirada;
  • Alongamento Estático(o que dá mais amplitude): é realizado permanecendo na posição (estático). Causa uma contração isométrica que aumenta a tensão muscular e ativa os órgãos tendinosos de Golgi (OTG). O reflexo miotático inverso provoca o relaxamento muscular;
  • Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (FNP): é realizado através da contração muscular. Essa aumenta a tensão muscular (de forma voluntária) e ativa ainda mais o OTG. Ocorre, assim, a inibição do reflexo miotático e a potencialização do reflexo miotático inverso.

Funções do alongamento

Como discutido na última aula, Os principais objetivos (funções) dos alongamentos são: ganho de flexibilidade, aquecimento e relaxamento. Devemos, então, adequar o tipo de alongamento ao objetivo que se deseja atingir.

Para o aquecimento, o alongamento balístico é o mais recomendado por causa do movimento. Pode-se também utilizar o alongamento estático.

Para o relaxamento, o alongamento estático é o mais adequado.

Para o aumento da flexibilidade, não só podemos como devemos usar todas as técnicas de alongamento. Isso porque cada uma delas vai apresentar uma vantagem diferente. A FNP é a mais utilizada, mas esta técnica tem uma limitação no rendimento porque não trabalha a flexibilidade dinâmica. O único tipo de alongamento que trabalha essa categoria da flexibilidade é o alongamento balístico. Sendo assim, é importante mesclar as diferentes técnicas de alongamento quando se tem como objetivo o ganho de flexibilidade, sem perder de vista as noções e limitações precisas de cada modalidade esportiva.

Ainda falando de flexibilidade, deve-se ter o cuidado de trabalhar com movimentos em um ritmo mais lento, pois movimentos de alongamento rápidos são potencialmente perigosos, podendo acarretar estiramentos ou espasmos musculares. Estudos recentes mostram que, músculos, tendões, ligamentos e articulações são mais adaptáveis, e que respondem aos exercícios de flexibilidade quando tais exercícios são executados depois da fase de condicionamento de resistência.

DIFERENTES FORMAS DE CONTRAÇÃO MUSCULAR

A estimulação neural de um músculo faz com que os elementos contráteis de suas fibras tendam a encurtar-se ao longo do eixo longitudinal. Os termos isométrico ou estático descrevem a ativação muscular na qual não ocorre qualquer modificação perceptível no comprimento das fibras musculares. Uma contração muscular dinâmica produz movimento do esqueleto. As contrações concêntricas e excêntricas representam os dois tipos de contrações musculares dinâmicas.

Contração Concêntrica

            Ocorre quando o músculo se encurta e observa-se movimento articular à medida que a tensão aumenta. Ocorre uma contração concêntrica ao elevar-se um haltere da posição do cotovelo estendido para a posição fletida. Ao se levantar um garfo para levar o alimento do prato à boca, torna-se necessária uma contração concêntrica do músculo bíceps.

            Na contração concêntrica, os filamentos finos são tracionados em direção ao centro do sarcômero.

 

Contração Excêntrica

            Ocorre quando a resistência externa ultrapassa a força muscular e o músculo se alonga à medida que a tensão aumenta. Ocorre ao se baixar o haltere da posição do cotovelo fletido para a posição estendida. O peso é abaixado lentamente contra a força da gravidade. A volta do garfo para o prato envolve uma contração excêntrica do músculo bíceps. As fibras musculares (mais especificamente, os sarcômeros) dos músculos das extremidades superiores se alongam numa contração excêntrica para evitar que o peso (ou o garfo) caia sobre a superfície. No levantamento de pesos, com bastante frequência, os músculos agem excentricamente quando o peso retorna lentamente para a posição inicial a fim de dar início a uma nova contração concêntrica (encurtamento). A contração muscular excêntrica durante essa fase de “recuperação” representa um acréscimo significativo para um trabalho total da repetição do exercício. As contrações musculares concêntricas e excêntricas combinadas aumentam a eficácia do treinamento de resistência no sentido de aprimorar a força muscular e o tamanho das fibras. O treinamento com sobrecarga que inclui contrações musculares concêntricas também preserva os aumentos de força muito melhor durante a fase de manutenção que apenas o treinamento concêntrico.

            Na contração excêntrica, os filamentos finos são ainda mais tracionados em relação ao centro do sarcômero, ocorrendo assim o alongamento dessas estruturas.

 

Como mostrado nos gráficos abaixo, o VO2 e a concentração de lactato [LA] são menores na contração excêntrica para uma mesma carga de trabalho.

 

A carga de trabalho é maior na contração excêntrica.

O trabalho excêntrico produz mais lesões.

Dor e Rigidez Musculares

            Após um afastamento prolongado do exercício, a maioria das pessoas experimenta dor e rigidez nas articulações e nos músculos exercitados. A dor temporária pode persistir por várias horas imediatamente após realizar um exercício para o qual o indivíduo não estava preparado, enquanto uma dor muscular de início tardio (DMIT) residual aparece subsequentemente e pode persistir por 3 ou 4 dias. Qualquer um dos seguintes fatores pode produzir DMIT:

• Lacerações minúsculas no tecido muscular ou dano de seus componentes contráteis com liberação concomitante de creatina cinase (CK), mioglobina (Mb) e troponina I, que é o marcador músculo-específico do dano das fibras musculares;

• Modificações da pressão osmótica que causa retenção de líquidos nos tecidos circundantes;

• Espasmos musculares;

• Estiramento excessivo e talvez laceração de porções do arcabouço de tecido conjuntivo do músculo;

• Inflamação aguda;

• Alteração no mecanismo celular para a regulação do cálcio;

• Uma combinação desses fatores.

O gráfico abaixo enfatiza a dor muscular e a atividade de CK após exercícios com contrações musculares concêntricas e excêntricas. A principal diferença ocorre 25 horas após o exercício. Os exercícios excêntricos produzem classificações percebidas muito mais altas da dor para os principais grupos musculares exercitados. A magnitude do aumento no nível sérico de CK é a mesma entre os dois de 5 a 25 horas depois do exercício. Ambas as modalidades de exercício elevam o nível sérico de CK, porém as contrações musculares concêntricas não produzem DMIT.

 

SISTEMA ENDÓCRINO

Os hormônios secretados pelas glândulas endócrinas são carreados na corrente sanguínea a fim de exercer sua influência sobre vários tecidos em todo o corpo. Sua principal função consiste em alterar as velocidades (ritmos) de reações celulares específicas de “células-alvo” também específicas.

 

Eixo Hipotálamo-Hipofisário

A hipófise está localizada na base do encéfalo, conectada ao hipotálamo. A glândula possui dois lobos, o lobo anterior (adeno-hipófise), que é uma glândula endócrina verdadeira, e o lobo posterior (neuro-hipófise) que é um tecido neural que se estende a partir do hipotálamo.

A liberação de hormônios da hipófise anterior é controlada por substâncias químicas (fatores ou hormônios liberadores) que se originam de neurônios localizados no hipotálamo. A hipófise posterior recebe seus hormônios de neurônios especiais originados no hipotálamo. Os hormônios se movem ao longo do axônio até vasos sanguíneos na hipófise posterior, onde são liberados na circulação geral.

Neuro-Hipófise

O lobo posterior é uma excrescência de tecido nervoso do hipotálamo. A neuro-hipófise secreta dois hormônios que são produzidos no hipotálamo: a ocitocina, responsável pela ejeção do leite e pela contração uterina; e o ADH (hormônio antidiurético). Esses hormônios se descolam através do tecido nervoso e são armazenados em vesículas no interior de terminações nervosas na hipófise posterior. Esses hormônios são liberados em capilares, conforme a necessidade, em resposta a impulsos nervosos provenientes do hipotálamo.

Dos dois hormônios do lobo posterior da hipófise, apenas o hormônio antidiurético (ADH) desempenha um papel sabidamente importante durante o exercício.

Ocitocina

A ocitocina é um potente estimulador da musculatura lisa, especialmente no momento do parto, e também está envolvida na resposta de “ejeção” do leite necessária para sua liberação pela mama.

Hormônio antidiurético (ADH) ou Vasopressina

O hormônio antidiurético promove conservação da água ao aumentar a permeabilidade hídrica dos ductos coletores renais. Em decorrência disso, menos quantidade de água é excretada na urina, o que gera uma “antidiurese”.

A atividade muscular e o suor provocam a concentração de eletrólitos no plasma sanguíneo. Esse fenômeno é denominado hemoconcentração, e isso aumenta a osmolaridade plasmática (a concentração iônica de substâncias dissolvidas no plasma). Este é o principal estímulo fisiológico para a liberação do ADH. O aumento na osmolaridade é percebido por osmoceptores no hipotálamo. Um segundo estímulo para a liberação do ADH (e também relacionado com o processo) é o baixo volume plasmático. Em resposta a qualquer desses estímulos, o hipotálamo envia impulsos nervosos para a hipófise posterior, estimulando a liberação do ADH. O ADH entra no sangue, se desloca até os rins e promove retenção de água (reabsorção pelas aquaporinas), em um esforço de diluir a concentração dos eletrólitos no plasma de volta aos valores normais. O papel desse hormônio na conservação da água corporal minimiza a extensão da perda de água e, portanto, o risco de grave desidratação durante períodos de sudorese e exercício intensos.

 

Durante o exercício, o volume plasmático diminui e a osmolaridade aumenta, e para intensidades de exercício superiores a 60% do VO2 máx, a secreção de ADH aumenta conforme mostrado na figura abaixo.

 

Adeno-Hipófise

A hipófise anterior tem importante papel no equilíbrio dos líquidos. Ela secreta seis hormônios: hormônio do crescimento (GH; somatotropina), tireotropina (TSH), corticotropina (ACTH), gonadotrópicos (FSH e LH) e a prolactina (PRL).

A comunicação entre o hipotálamo e o lobo anterior da hipófise ocorre por meio de um sistema cardiovascular especializado que transporta hormônios liberadores e inibidores do hipotálamo até a hipófise anterior.

O exercício é um forte estimulante do hipotálamo, porque sua prática aumenta a velocidade de liberação de todos os hormônios da hipófise anterior.

Hipotálamo

Hipófise Anterior

Fator Hipotalâmico Liberador

GnRh

LH/ FSH

Testosterona/ Progesterona e Estradiol

GHRH

GH

X

TRH

TSH

T3 e T4

CRH

ACTH

Cortisol

Hormônio do Crescimento (GH)

O GH é um hormônio secretado pela hipófise anterior e exerce efeitos profundos sobre o crescimento de todos os tecidos por meio da ação do insulin like growth fator (IGF). Ele promove o crescimento e a hipertrofia dos músculos ao facilitar o transporte dos aminoácidos para o interior das células. Além disso, o hormônio do crescimento estimula diretamente o metabolismo das gorduras (lipólise), por aumentar a síntese de enzimas envolvidas nesse processo.

Ocorre aumento das concentrações do hormônio do crescimento durante o exercício aeróbio, aparentemente em proporção com a intensidade do exercício. Caracteristicamente, essas concentrações permanecem elevadas durante algum tempo depois do fim do exercício.

 

O GH também é, muitas vezes, usado como recurso ergogênico. Ele aumenta a massa muscular, porém provoca o crescimento dos ossos chatos (crânio, mandíbula, pés e mãos), e é diabetogênico.

Descrever a resposta do GH plasmático ao exercício é uma tarefa bastante difícil, uma vez que o GH também pode ser alterado por uma ampla variedade de fatores físicos, químicos e psicológicos. O GH plasmático aumenta com a elevação da intensidade do exercício, atingindo, no trabalho máximo, valores 25 vezes superiores aos de repouso. A concentração plasmática de GH aumenta, ao longo do tempo,  durante 60 minutos de exercício a 60% do VO2 máximo. Enfim, o GH, um hormônio envolvido principalmente na síntese protéica, pode atingir concentrações plasmáticas, durante o exercício, que podem exercer um efeito direto, mas de “ação lenta”, sobre o metabolismo de carboidratos e gorduras.

Bibliografia:

• WILMORE, Jack H.; COSTILL, David L. Fisiologia do Esporte e do Exercício. 2ª ed. Tamboré Barueri – Sp: Manole Ltda., 1999. 709 p.

• McARDLE, William D. et al. Fisiologia do Exercício: Energia, Nutrição e Desempenho Humano. 5ª ed. Rio de Janeiro, Rj: Guanabara Koogan, 2003. 1113 p.

• SILVERTHORN, Dee Unglaub. Fisiologia Humana: Uma Abordagem Integrada. 2ª ed. São Paulo – Sp: Ed. Manole, 2003. 992 p.

 Juarez Lucas